Sua consciência foi puxada e, de repente, abriu os olhos.
E voltou num resfôlego.
Silêncio.
Ao seu redor, o mais puro e opressor silêncio, enquanto engolia o ar afoitamente.
E deparava-se com aqueles olhos diante dos seus.
O escuro da noite prevalecia, mas a lua clareava toda a vastidão de areia onde estavam acampados.
Seu peito ardia, uma fina camada de suor cobria seu rosto…
E encarava os olhos dele: olhos verdes como oliva, pouco despertos, mas atenciosos.
Passou a língua pelos lábios ressecados e esforçou-se para entender seus pensamentos - desvincular-se do imaginário para o real. Acalmou-se, permanecendo deitado lateralmente, mantendo seu olhar no dele e deixando que a adrenalina do pesadelo esvaísse ao seu tempo. Somente depois de minutos notou: a mão morena acariciava suavemente seus cabelos, ali, junto à sua têmpora.
“Foi só um pesadelo.” ele lhe disse, com a voz rouca, baixa. “Volte a dormir, Orie.”
Talvez, por ter se sentido reconfortado pelo carinho após daquela experiência aterradora, repudiou a proximidade que Khedri oferecia.
A manta descobriu-o, deslizando para suas pernas ao sentar-se. Uma lufada de vento frio lembrou-o do por que estivera deitado tão perto do mercador.
O frio.
“Eu não me chamo Orie.” relembrou ao outro homem.
“É… eu sei.” Khedri, ainda deitado, admitiu com um sorriso discreto.
“Por que insiste em me chamar assim?”
“É como o vejo.” o moreno lhe confessou com a voz tênue.
Ficou observando-o sem constrangimento, refletindo sobre o sonho, sobre a conduta do mercador, até que as pálpebras dele se fechassem e voltasse a pegar no sono. Esperou até ouvi-lo ressonar. Desviou os olhos para o céu escuro, pensando sobre suas próprias certezas e incertezas, desejando que tudo aquilo acabasse o mais rápido possível…
Entropia - Arco I